sábado, 28 de agosto de 2010

Ainda sobre escolhas e perdas

Naturalmente escolhas implicam perdas. Mas e as perdas que não escolhemos? Umas são fatalidades, vontade divina, conspiração do universo, karma ou qualquer outro nome que sua crença lhe sugerir (pois felizmente ainda estamos num país de liberdade religiosa, apesar de alguns mais fanáticos não terem sido avisados disso).

Outras, entretanto, tratam-se de escolhas alheias. Alguém, sabe-se lá o porquê, resolveu meter o dedo no seu destino, dizer algumas palavras atravessadas, tomar atitudes inesperadas e voilà... toda sua sensação de estabilidade e de certa tranquilidade perante a vida desabam completamente.

A situação pode trazer consequências diametralmente opostas e é possível pensar que, a aparente tragédia, nada mais é que a proposta de um novo caminho, de uma nova perspectiva de vida, de um "Graças a Deus, dessa eu me livrei". Mas quanto a amizade desfeita, os laços rotos com uma única expressão nos lábios: a recomendação de saber perdoar, sem sabê-lo?

O que fazer agora, que um novo 30 de agosto chega e resta apenas a vontade do abraço calado pela distância e pela surdez que nunca quis saber sua versão?

Fica apenas o desejo secreto e honesto de parabéns e muitas felicidades.

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