Enquanto não acabo a próxima caixinha que, confesso, está me dando um certo trabalho, penso em como poderiamos simplesmente eliminar o mês de agosto sem grandes prejuízos para a humanidade. E antes que leoninos e virginianos me joguem uma praga (coisa desnecessária no momento, como se verá mais adiante) poderíamos negociar uma nova data de aniversário, no dia em que lhes parecesse melhor, a título de compensação.
Além de ser considerado mês de mau agouro, tempo do cachorro louco, época de azar, podemos conferir no calendário a escassez do mês: trinta e um dias e nenhum feriadinho sequer. Pode haver mês mais minguadinho?
Minguadinho nas folgas, minguadinho no dinheiro (após aquelas férias de julho, tão proveitosas), minguadinho de umidade (que seca é essa, gente?), minguadinho na sorte (veja como a mega-sena tem acumulado), minguadinho na paz(com tanto político hipócrita invadindo o recesso do nosso sagrado lar).
Este ano está bem minguadinho para mim. Tudo começou com uma sinusite que parecia incurável. Várias radiografias, antibióticos e anti-inflamatórios depois ela continua comodamente instalada no meu nariz.
Perdi pessoas queridas. Velório, cemitério e uma sensação de que havia sido abandonada por alguém que está fazendo uma falta danada.
Pensei que as experiências dolorosas tivessem chegado ao fim. Mas no último sábado quebrei o dedinho do pé esquerdo.
Com o pezinho para cima nesse momento, tenho me dedicado à reflexão e considero que tenho vivido momentos ruins em outros agostos. Mas felizmente, sempre houve setembros que me fizeram florescer e me fizeram perceber que, apesar das vicissitudes, em cada dor existia uma lição para o engrandecimento pessoal. O último agosto tenebroso foi há cinco anos. A pessoa que mais amava na ocasião saiu da minha vida e fechou a porta atrás de si definitivamente.
Mas felizmente chegaram novos setembros... chegaram o carinho e o amor de muitas pessoas. Chegaram novas oportunidades. Chegou um novo amor.
Neste ano, além das flores e da chuva para banhar esta cidade, espero recuperar-me da sinusite, recuperar-me das perdas emocionais e ter um dedinho novo.
Quando setembro começa?
domingo, 29 de agosto de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Adoniran
O centenário de uma personalidade é sempre boa oportunidade para descobrirmos um pouco mais sobre a sua essência.
Sempre achei interessante a obra de Adoniran, entretanto, confesso que pouco conhecia ou pesquisei a seu respeito.
Recentemente, em um documentário, vi o próprio Adoniran explicando sobre suas escolhas linguísticas ao compor uma música. Não se tratava, como muitos podem imaginar, de um ignorante ou limitado que escrevia equivocadamente a língua portuguesa. Ao contrário, sua opção pela forma popular de expressão, explorando palavras que feriam gravemente a "norma culta", revelava a alma do artista que procura no diferente a graça, a leveza, o humor, ou, conforme suas próprias palavras, o pitoresco.
Segundo Houaiss, pitoresco pode ser aquilo "que diverte, recreativo" ou ainda aquilo "que é original de modo gracioso, envolvente, fascinante".
Fico imaginando se Adoniran ainda estivesse vivo. Melhor, fico imaginando como poderia dizer-se pitoresco fazendo músicas com os erros que lhe faziam na época tão autêntico. Hoje, pitoresco é utilizar um vocabulário mais diversificado, é ter um discurso estruturado. Pitoresco é fazer uso correto do subjuntivo. É respeitar toda e qualquer concordância. É saber que a letra S não é uma entidade mitológica e serve para se fazer o plural das palavras. É não cair na tentação do gerundismo e estar consciente dos usos do infinitivo flexionado.
Mas a época é outra. O sucesso constrói-se a partir da mediocridade que produz incessantemente "hits" que duram uma semana. Ou será que alguém imagina que, daqui a 100 anos, comemorar-se-á o centenário de alguma aberração artística do momento?
Comemorar-se-á???... Nossa, acabei de ser bem pitoresca, kkkk.
Sempre achei interessante a obra de Adoniran, entretanto, confesso que pouco conhecia ou pesquisei a seu respeito.
Recentemente, em um documentário, vi o próprio Adoniran explicando sobre suas escolhas linguísticas ao compor uma música. Não se tratava, como muitos podem imaginar, de um ignorante ou limitado que escrevia equivocadamente a língua portuguesa. Ao contrário, sua opção pela forma popular de expressão, explorando palavras que feriam gravemente a "norma culta", revelava a alma do artista que procura no diferente a graça, a leveza, o humor, ou, conforme suas próprias palavras, o pitoresco.
Segundo Houaiss, pitoresco pode ser aquilo "que diverte, recreativo" ou ainda aquilo "que é original de modo gracioso, envolvente, fascinante".
Fico imaginando se Adoniran ainda estivesse vivo. Melhor, fico imaginando como poderia dizer-se pitoresco fazendo músicas com os erros que lhe faziam na época tão autêntico. Hoje, pitoresco é utilizar um vocabulário mais diversificado, é ter um discurso estruturado. Pitoresco é fazer uso correto do subjuntivo. É respeitar toda e qualquer concordância. É saber que a letra S não é uma entidade mitológica e serve para se fazer o plural das palavras. É não cair na tentação do gerundismo e estar consciente dos usos do infinitivo flexionado.
Mas a época é outra. O sucesso constrói-se a partir da mediocridade que produz incessantemente "hits" que duram uma semana. Ou será que alguém imagina que, daqui a 100 anos, comemorar-se-á o centenário de alguma aberração artística do momento?
Comemorar-se-á???... Nossa, acabei de ser bem pitoresca, kkkk.
Ainda sobre escolhas e perdas
Naturalmente escolhas implicam perdas. Mas e as perdas que não escolhemos? Umas são fatalidades, vontade divina, conspiração do universo, karma ou qualquer outro nome que sua crença lhe sugerir (pois felizmente ainda estamos num país de liberdade religiosa, apesar de alguns mais fanáticos não terem sido avisados disso).
Outras, entretanto, tratam-se de escolhas alheias. Alguém, sabe-se lá o porquê, resolveu meter o dedo no seu destino, dizer algumas palavras atravessadas, tomar atitudes inesperadas e voilà... toda sua sensação de estabilidade e de certa tranquilidade perante a vida desabam completamente.
A situação pode trazer consequências diametralmente opostas e é possível pensar que, a aparente tragédia, nada mais é que a proposta de um novo caminho, de uma nova perspectiva de vida, de um "Graças a Deus, dessa eu me livrei". Mas quanto a amizade desfeita, os laços rotos com uma única expressão nos lábios: a recomendação de saber perdoar, sem sabê-lo?
O que fazer agora, que um novo 30 de agosto chega e resta apenas a vontade do abraço calado pela distância e pela surdez que nunca quis saber sua versão?
Fica apenas o desejo secreto e honesto de parabéns e muitas felicidades.
Outras, entretanto, tratam-se de escolhas alheias. Alguém, sabe-se lá o porquê, resolveu meter o dedo no seu destino, dizer algumas palavras atravessadas, tomar atitudes inesperadas e voilà... toda sua sensação de estabilidade e de certa tranquilidade perante a vida desabam completamente.
A situação pode trazer consequências diametralmente opostas e é possível pensar que, a aparente tragédia, nada mais é que a proposta de um novo caminho, de uma nova perspectiva de vida, de um "Graças a Deus, dessa eu me livrei". Mas quanto a amizade desfeita, os laços rotos com uma única expressão nos lábios: a recomendação de saber perdoar, sem sabê-lo?
O que fazer agora, que um novo 30 de agosto chega e resta apenas a vontade do abraço calado pela distância e pela surdez que nunca quis saber sua versão?
Fica apenas o desejo secreto e honesto de parabéns e muitas felicidades.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Encomendas...
Eita... já estou até recebendo encomendas. Tô ficando boa nisso, rs, rs. Só falta abrir negócio, montar minha barraquinha e sair vendendo.
PS... para quem me achou poética na última semana deve ter percebido que estou bem prosaica hoje.
Em breve mais coração, cérebro e pena (devidamente substituída pelo teclado) nas próximas postagens.
PS... para quem me achou poética na última semana deve ter percebido que estou bem prosaica hoje.
Em breve mais coração, cérebro e pena (devidamente substituída pelo teclado) nas próximas postagens.
Recomendações
Ainda sobre teatro, levando em consideração o comentário de meu amigo Guilherme, recomendo a peça "Ensina-me a viver", com Glória Menezes, ainda em cartaz na capital paulistana (ouvi falar, inclusive, que estão fazendo uma temporada promocional). O espetáculo é uma aula de interpretação e, principalmente, de vida.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Escolhas...
Toda escolha é uma perda. Resta-nos escolher entre as perdas. Talvez tenhamos que nos decidir pelo tamanho: entre as perdas, a menor. Pelo aspecto: entre as perdas, a melhor (se é que existe melhor nessa história de perdas). Pelo financeiro: entre as perdas, a de menor prejuízo. Pelo aspecto afetivo: entre as perdas, a menos dolorosa. Pelo aspecto prático: o que nos dê menos dor de cabeça.
Mas é possível que estejamos fazendo as escolhas erradas... o menos, o menor, o ínfimo.
Proponho uma alternativa... escolhamos o mais. O que nos dê mais prazer. O que nos proporcione mais amor. O que nos possibilite mais ócio. O que nos traga mais conhecimento. E se ainda assim, não for possível conciliar tudo e tivermos que fazer uma escolha, decidamos pelo caminho que nos ofereça mais de nós. Antes de conquistar o mundo, conquistemos a nós mesmos.
Mas é possível que estejamos fazendo as escolhas erradas... o menos, o menor, o ínfimo.
Proponho uma alternativa... escolhamos o mais. O que nos dê mais prazer. O que nos proporcione mais amor. O que nos possibilite mais ócio. O que nos traga mais conhecimento. E se ainda assim, não for possível conciliar tudo e tivermos que fazer uma escolha, decidamos pelo caminho que nos ofereça mais de nós. Antes de conquistar o mundo, conquistemos a nós mesmos.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Presenças, ausências.
A vida nutre-se de dicotomias. Os opostos complementam-se, sobrepõem-se, transformam-se. Assim o dia torna-se noite, o claro, escuro, a alegria, tristeza, a vida, morte, a essência, vazio.
Percebemos, então, que estamos cercados por presenças e ausências. Interessante observar que as ausências reforçam as presenças...
Esta semana foi particularmente uma semana de ausência, na sua acepção mais extrema: a morte, a perda, a separação, a dor. Mas os sentimentos reverberam e fazem surgir algo novo: a sensibilidade, a saudade, o carinho, a amizade.
Estou triste. Mas essa tristeza é energia transmutável. Brevemente trará a necessidade de recriar-se renascer. E apesar da dor, quero celebrar a vida e a amizade daqueles que me cercam.
Obrigada a todos que se consideram meus amigos
Percebemos, então, que estamos cercados por presenças e ausências. Interessante observar que as ausências reforçam as presenças...
Esta semana foi particularmente uma semana de ausência, na sua acepção mais extrema: a morte, a perda, a separação, a dor. Mas os sentimentos reverberam e fazem surgir algo novo: a sensibilidade, a saudade, o carinho, a amizade.
Estou triste. Mas essa tristeza é energia transmutável. Brevemente trará a necessidade de recriar-se renascer. E apesar da dor, quero celebrar a vida e a amizade daqueles que me cercam.
Obrigada a todos que se consideram meus amigos
Pintura sobre madeira
Decoupage
sábado, 7 de agosto de 2010
Dicas de artesanato
A seguir algumas dicas para quem faz decoupage:
Sempre molhe seus pincéis antes de iniciar uma nova pintura. Colocá-lo diretamente na tinta reduzirá sua vida útil.
Para as pinturas aquareladas, diretamente sobre a madeira, utilize pincéis redondos para obter maior precisão.
O pincel chanfrado é utilizado para o efeito de sombreamento. É essencial molhar o pincel anteriormente. Coloque tinta em 1/3 de sua extensão (nas cerdas mais longas) e retire o excesso no azulejo, antes de sombrear a sua peça.
É possível criar um desenho de própria autoria e reproduzi-lo em qualquer peça de madeira. Faz-se um fotocópia colorida do desenho original, impermeabilizando-o com goma laca. Depois é só colocá-lo na peça desejada.
Sempre molhe seus pincéis antes de iniciar uma nova pintura. Colocá-lo diretamente na tinta reduzirá sua vida útil.
Para as pinturas aquareladas, diretamente sobre a madeira, utilize pincéis redondos para obter maior precisão.
O pincel chanfrado é utilizado para o efeito de sombreamento. É essencial molhar o pincel anteriormente. Coloque tinta em 1/3 de sua extensão (nas cerdas mais longas) e retire o excesso no azulejo, antes de sombrear a sua peça.
É possível criar um desenho de própria autoria e reproduzi-lo em qualquer peça de madeira. Faz-se um fotocópia colorida do desenho original, impermeabilizando-o com goma laca. Depois é só colocá-lo na peça desejada.
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