Lamentavelmente o país assiste a mais um caso exemplar de falta de educação.
Não bastassem todos os palavrões cabeludos que se escutam por toda parte, sem o devido respeito ao nossos ouvidos.
Não bastassem as barbaridades observadas no trânsito, em que alguns condutores não se sentem donos de seus veículos, mas do mundo.
Vemos mães e pais sem qualquer autoridade e reféns de seus filhos, pequenos e mimados soberanos nos lares brasileiros.
A escola não goza de melhor situação. Sem qualquer exemplo no âmbito doméstico, os alunos desrespeitam com frequência professores e funcionários.
Pessoas jogam lixo nas ruas, nas calçadas e na janela do vizinho do apartamento de baixo.
Entretanto o que mais me intriga é a total ausência de punição, repreensão ou qualquer coisa do gênero. Em alguns casos a sensação é de que os mal educados são, inclusive, premiados. É só espernear um pouquinho que lá vêm "o direito de expressão", o "ECA", as "regras do condomínio", os "direitos humanos", o "papa", o "pastor", "Deus" e o "diabo"... Enfim, todo mundo para proteger o desvalido tirano.
Nestas duas últimas semanas tivemos mais um episódio, digno de reprovação geral. Neymar (que não chamarei aqui de jogador, pois creio que a posição pressupõe outros atributos, além de jogar bola) ficou irritado com o técnico e com o capitão de seu próprio time, porque ele queria cobrar um pênalti. Que alguém se irrite com o adversário ou com o juiz é completamente compreensível. Porém, por mais estressante que seja a situação, trata-se de uma competição esportiva e como sugere a própria essência do esporte, é necessário ter respeito, medir suas palavras.
Aparentemente o jovem Neymar não sabe ao certo o que quer dizer essa palavra. Desrespeitou Dorival Júnior com palavras que é mais educado não reproduzir nesta página. Comportou-se como um moleque, como uma criança mimada. Com toda razão, o técnico solicitou à diretoria que fosse tomada alguma atitude a respeito. Afastado da equipe, Neymar também foi penalizado com uma multa.
Até aí, perfeito. Mas eis que Dorival, ainda aborrecido com o excesso de estrelismo do moleque, deixa-o de fora do clássico contra o Corinthians. Foi a gota d'água. Para que o rapaz se emendasse? Nada disso. Foi a gota d'água para que o técnico fosse demitido.
Infelizmente, a diretoria do Santos dá um péssimo exemplo a todos os jovens deste país, ao dar maior importância aos pontos no campeonato que a uma medida realmente educativa. A falta de educação foi mais uma vez premiada.
Espero que, ao menos, os pais desse rapaz possam transformá-lo realmente em um jogador de futebol, um atleta, coisa que ele ainda não é. E talvez não chegue a sê-lo, se dependermos dos dirigentes dos clubes brasileiros.
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